Como a bicicleta promove a segurança rodoviária

Este é o ponto basilar que deve ser debatido seriamente por todos os intervenientes no espaço público com influência nas políticas rodoviárias e de mobilidade. Não posso deixar de discordar com o contexto das afirmações do Dr. Jorge Jacob, presidente da ANSR, quando refere que os ciclistas precisam de ser “disciplinados”; pois os dados estatísticos na realidade demonstram que cidades que favoreçam políticas mais amigas de ciclistas e peões, são cidades que têm índices de segurança rodoviária muito superiores. É fácil de perceber que quando se promove acalmia de tráfego, quando se alargam os passeios e se diminui a largura das estradas, quando se colocam zonas de abrandamento de velocidades, quando se criam zonas partilhadas; todas estas medidas promovem invariavelmente melhorias nos índices de segurança rodoviária.

Na realidade, as políticas urbanas de mobilidade de atração de peões e ciclistas para as cidades, são as mesmas ou muito similares às políticas de promoção da segurança rodoviária.


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A bicicleta e o super mito das colinas – o caso de Lisboa!

É comum ouvirmos por vezes alguém afirmar que Lisboa não tem condições para pedalar por causa das sete colinas. Explicarei que tal deve-se puramente a desinformação e desconhecimento da realidade. A cidade norueguesa de Trondheim é um exemplo clássico de que a orografia não é de todo um fator impeditivo para que as pessoas adotem a bicicleta como modo de transporte quotidiano. Dizer que não se pedala mais em Lisboa por causa das colinas, é faltar à verdade e ter falta de visão no âmbito do paradigma da mobilidade. Mostra-se o mapa topográfico da cidade de Trondheim, uma cidade com cerca de 180 mil habitantes onde a temperatura média durante o dia no Inverno ronda os dois graus negativos.
 
Relevo da cidade de Trondheim. Fonte: Google maps
18% da população usa a bicicleta no dia-a-dia.
Relevo da cidade de Lisboa. Fonte: Google maps
Menos de 1% da população usa a bicicleta no dia-a-dia. Fonte: Censos 2011

Em Trondheim 18% da população, muita dela estudantil, usa a bicicleta no dia-a-dia. Este valor compara com menos de 1% em Lisboa segundo os Censos 2011. Já Varsóvia na Polónia, é uma cidade praticamente sem relevos ou colinas, sendo quase totalmente plana, mas que tem uma percentagem ínfima de pessoas que adota a bicicleta no dia-a-dia. Estes dois exemplos mostram que a topografia do terreno, não é de todo o fator mais preponderante para cativar ou desincentivar o uso da bicicleta.

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