Opções para transportar crianças de bicicleta

Transportar Crianças - Chegada à Escola

A bicicleta é um excelente veículo para transportar crianças pequenas, seja diariamente para a escola, ou nas aventuras em família ao fim-de-semana. Neste artigo analisamos algumas das opções mais comuns, indicando as suas vantagens e desvantagens. Fizemos ainda um inquérito, cujas respostas ajudaram à elaboração deste artigo.


Cadeiras – Traseira e Frontal

Transportar Crianças - cadeiras

Esta é a opção mais comum para transportar crianças. É a mais simples, barata e também usada em combinação com as outras opções.

Vantagens:

  • Simplicidade.
  • Comunicação com as crianças (especialmente no caso da cadeira frontal).
  • factor “fun” (especialmente no caso da cadeira frontal).
  • Baixo custo.
  • Versatilidade: adaptam-se a quase todas as bicicletas e podem ficar na escola para que o pai/mãe possa seguir viagem para o trabalho sem peso extra.

Desvantagens:

  • Chuva e frio (embora um equipamento impermeável e agasalhos minimizem o problema).
  • Crianças só a partir de 1 ano e até aos 3/4 anos
  • Limite de peso: máximo 22 kg atrás e 16 kg à frente. Existem modelos especiais – Bobike Junior – que permitem levar crianças até aos 35 kilos.
  • Quando a criança adormece a sua cabeça não fica suportada, baloiçando de forma desconfortável.
  • Algumas pessoas queixam-se que a bicicleta fica um pouco instável, mas com a prática regular isso deixa de ser um problema.
  • No caso de cadeiras frontais, convém verificar se toca com os joelhos ao pedalar, obrigando a abrir ligeiramente as pernas e maior cuidado ao manobrar a bicicleta. Existem bicicletas em que isso acontece e outras não, dependendo da geometria. A prática e a distância do percurso influenciam esta potencial desvantagem.


Atrelado

Transportar Crianças - Atrelado

Croozer Kids for 2

Existem vários atrelados, com preços entre os 200€ e os 500€. O valor reflecte a diferença na qualidade, segurança e conforto, pelo que recomendo investir num modelo melhor. O mais comum no meu universo de amigos é o “Croozer Kids for 2”. Pessoalmente tenho um, pelo que sou suspeito, mas considero dos melhores, senão o melhor investimento que fiz nos últimos anos.

Vantagens:

  • Conforto, Segurança e estabilidade: além da estrutura rígida envolvente, mesmo no caso de queda da bicicleta o atrelado mantém-se “sempre em pé”.
  • Protecção do clima (frio e chuva), ideal para o Inverno.
  • Capacidade de carga superior, permite levar duas crianças mais bagagem (até 45 kg no modelo da foto).
  • Versatilidade: adaptam-se a praticamente todas as bicicletas e podem ficar na escola para que o pai/mãe possa seguir viagem para o trabalho sem peso extra. Vêm com duas fixações, para poder ser instalado em duas bicicletas diferentes.
  • Possibilidade de transportar bebés a partir das 4 semanas com um adaptador (depende do modelo), até aos 6/7 anos.
  • Permite que os pequenos durmam durante a viagem, com conforto.

Desvantagens:

  • Comunicação menos imediata com as crianças devido à maior distância.
  • Mais pesado que uma cadeira, pelo que exige mais esforço em passeios longos (nada demais para um adulto em boa forma física).
  • Mais caro que as cadeiras.


Cargo Bike comum – de cauda longa

Transportar Crianças - cargo bike xtracycle

Xtracycle do Gonçalo Pais + cadeira

Alguns modelos mais comuns nas bicicletas de carga de cauda longa são a Yuba Mundo, Yuba Boda Boda, Kona Ute ou Surly Big Dummy. Também muito usado é o kit Xtracycle, uma extensão que se adapta à maioria das bicicletas, convertendo-as em cargo-bikes. Tenho pelo menos 3 amigos muito satisfeitos com as suas Xtracycle.

Vantagens:

  • Versatilidade: uma bicicleta para todo o serviço, apenas ligeiramente mais pesada que uma bicicleta normal.
  • Factor “fun”: é como andar numa “limousine descapotável”, mas ainda mais exclusivo.
  • Boa comunicação.
  • Capacidade de carga: algumas aguentam até 200 kg, haja pernas (ou um motor eléctrico), permitindo levar crianças mais velhas e até adultos, ir às compras, etc.

Desvantagens:

  • Mais pesada que uma bicicleta normal, mas menos que uma bicicleta + atrelado.
  • Chuva e frio (embora um equipamento impermeável e agasalhos minimizem o problema).
  • Crianças só a partir de 1 ano (em cadeira).
  • Desconfortável se a criança adormece.
  • Preço: uma bicicleta de carga é mais cara que uma normal, mas ao mesmo nível duma bicicleta + atrelado.


Cargo Bike – com área frontal

Transportar Crianças - Bakfiets Cargo Bike

O João Bernardino andou uns tempos com uma Bakfiets emprestada da Cenas a Pedal

Os modelos mais comuns são a Gazelle Cabby, Bakfiets e Babboe.

Vantagens:

  • Segurança e conforto para as crianças.
  • Protecção do clima.
  • Capacidade de carga superior – permite levar até 4 crianças (dependendo do modelo) ou 2 crianças mais carga, mochilas, etc.
  • Possibilidade de colocar com segurança um “ovo” para transporte de bebé;
  • Factor “fun”, com visibilidade total da rua para as crianças.
  • Facilidade de comunicação.

Desvantagens:

  • Versatilidade e Peso: depois de entregues as crianças na escola, ficamos com uma bicicleta demasiado pesada e pouco ágil nos percursos com inclinações.
  • Preço: a opção mais cara de todas.

Conclusão

Inquerito Trasnportar Criancas Resumo

Resumo das respostas ao inquérito

Não existe uma única solução, mas várias, dependendo dos percursos a ser feitos, da bolsa de cada um, do tamanho/peso das crianças, do clima. Muitos dos que responderam ao inquérito usam várias combinações: cadeira + atrelado, cadeira + bicicleta de carga de cauda longa. Combinações essas que podem mudar ao longo do ano (atrelado nos dias de chuva e frio e cadeira nos dias mais amenos).

O ideal será mesmo investir em várias opções. Eu comecei com uma cadeira e mais tarde complementei com um atrelado, quando nasceu o meu segundo filho. Para quem possa fazer confusão gastar 500€ num atrelado, 1000€ numa bicicleta de carga ou 1600€ numa Gazelle Cabby, imagine aqueles extras dum normal carro (vidros eléctricos traseiros, tecto de abrir, A/C electrónico, etc.) que custam bem mais do que isso. Uma família com vários carros, pode reduzir a “frota automóvel” a uma unidade e comprar facilmente todas estas bicicletas, sobrando ainda milhares de euros todos os anos para coisas mais importantes.

Na dúvida, experimente sempre através de algum amigo ou conhecido, que com certeza terá todo o gosto em lhe deixar dar umas voltas com os seus filhos.

Transportar crianças de bicicleta exige algum investimento, de tempo e dinheiro, com a certeza de que será altamente recompensado por essa decisão. Começar é o mais difícil, mas a evolução é progressiva e a prática continua transforma qualquer desafio físico num imenso prazer ao longo do tempo. Com um outro bónus: quem tem filhos sabe bem que sobra pouco tempo para a prática regular de exercício, numa altura em que o nosso corpo mais precisa. Transportar os nossos filhos de bicicleta no dia-a-dia melhora a qualidade de vida: a sua, a deles e a de todos os outros seres vivos do planeta.

A Cicloficina do Oriente está à disposição para prestar um aconselhamento mais personalizado aos pais que queiram percorrer este caminho.

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Da zona Oriental de Lisboa à Caparica, com uma criança de 5 anos

Enquanto esperávamos pelo barco em Belém

Galeria completa de fotografias no fim do artigo >>

No domingo passado fui com o meu filho mais velho (5 anos, quase 6) a uma festa de aniversário em São João da Caparica. Apesar de preferir festas mais perto de casa, encaro estas deslocações como um desafio e uma oportunidade para o educar sobre as várias opções de mobilidade. Claro que também aproveitamos para passar tempo de qualidade juntos e viver uma pequena aventura. Que prenda melhor podemos dar às crianças?

Fui ao Google Maps, ver onde era o local e rapidamente desenhei um percurso:

  • Pedalar do Parque das Nações até ao Cais do Sodré (8,5 kms).
  • Apanhar o Comboio Urbano até Belém.
  • Apanhar o barco Belém – Trafaria.
  • Pedalar mais 2 kms, do cais até ao Fun Parque.

A festa foi bem activa, num espaço cheio de árvores e vários percursos de arborismo, por onde as crianças ultrapassavam obstáculos e deslizavam por cordas, equipadas com um arnês. Nunca tínhamos visitado um local assim e achei um espaço genial para os mais pequenos, com um contacto em perfeita harmonia com a natureza, sem a comprometer com recurso a energias poluentes. Fantástico mesmo!

No regresso, fizemos o percurso inverso, mas decidimos prescindir do comboio e vir a pedalar de Belém até ao Parque das Nações.

Para os pais mais preocupados, reparem que a viagem de comboio e barco foram mais que suficientes para carregar as baterias, se é que elas se gastam nestas idades, deixando-o preparado para tirar o máximo partido desta actividade tão física que é o arborismo.

O percurso em bicicleta ainda é considerável para uma criança desta idade, mas perfeitamente fazível. O meu braço está sempre pronto a dar-lhe uma ajuda – é relativamente fácil agarrá-lo pelo casaco ou pelo ombro, enquanto pedalo ao lado dele. No caso do Diego, ele está habituado a pedalar todos os dias no curto caminho para escola e a dar umas voltas maiores ao fim-de-semana. São bons hábitos saudáveis para uma criança, preparando-a para um futuro mais sustentável, onde a bicicleta representa uma solução inteligente de mobilidade, ao mesmo tempo que resolve outros problemas: saúde, segurança, economia, ambiente, etc. E claro, uma excelente oportunidade para sair à rua, conviver com os nossos filhos e conhecer melhor o nosso bairro, os vizinhos e os arredores.

Outras opções/variantes possíveis para este passeio seriam ter levado o meu filho mais novo (2 anos) na cadeirinha da bicicleta, ou usar o atrelado.

Para terminar, gostava de realçar o prazer imenso que é circular na zona do Terreiro do Paço sem carros, sem o constante ruído ensurdecedor, gases de escape e atropelos, numa zona que assim deveria continuar.

Em nota negativa, a falta de condições de acesso à rua na estação ferroviária de Belém, obrigando a subir e descer uma escadaria – carrinhos de bebé, cadeiras de rodas, pessoas com problemas de mobilidade? – para não interferir com a “fluidez” do tráfego motorizado das “duas” avenidas que ali passam. Uma opção lamentável que nunca deveria ter acontecido e urge corrigir, em favor do bem maior de todos.